O que é a Reserva Ecológica Michelin?
A Reserva Ecológica Michelin (REM) é uma área protegida de 3.096 hectares que pertence às Plantações Michelin da Bahia (PMB), uma empresa do Grupo Michelin que possui mais de 100 anos de história, presente em mais de 170 países, com sede em Clermont-Ferrand, na França. A reserva engloba um mosaico de Mata Atlântica ombrófila e plantios de seringueiras nos municípios de Igrapiúna e Ituberá, a 140 quilômetros ao sul da capital baiana, Salvador. A reserva é legalmente classificada sob diversas categorias de conservação, inclusive Reserva Legal, Servidão Florestal e Reserva Particular de Patrimônio Natural. A reserva faz parte do projeto mais amplo da Michelin conhecido como Projeto Ouro Verde Bahia que inclui programas de pesquisa econômica, social e agronômica que visam estimular a economia regional e melhorar o padrão de vida dos pequenos agricultores, através do plantio de melhores variedades da seringueira.

Por que a Michelin criou esta reserva?
A Reserva Ecológica Michelin foi criada em 2005 (port. # 13294, decreto # 1.922/96) com o propósito de preservar um remanescente significativo da Mata Atlântica no sul da Bahia, conhecido por sua rica biodiversidade e suas espécies endêmicas, numa região que tem sofrido desmatamento intenso e degradação extensiva. Um dos propósitos fundamentais para a criação da reserva foi proteger a floresta de caçadores clandestinos. A empresa, porém, também encontrou aí a oportunidade para investir em reflorestamento, pesquisa ecológica e programas de educação ambiental, após ter percebido que a carência de programas nesses moldes está impedindo a gerência adequada e proteção da Mata Atlântica da Bahia. Portanto, a reserva é organizada baseada em quatro programas: proteção, restauração, pesquisa e educação ambiental. A criação da reserva faz parte da filosofia corporativa da Michelin sobre o uso sustentável de recursos naturais e práticas empresariais com responsabilidade ambiental.

Organização da reserva
A reserva é administrada pelo Centro de Estudos da Biodiversidade (CEB), formada por uma equipe de oito pessoas: o diretor da reserva (Dr. Kevin M. Flesher), o administrador (André Sousa dos Santos), quatro guardas florestais e dois atendentes na Cachoeira Pancada Grande. Além dos funcionários da Michelin, há uma equipe formada por 12 pessoas terceirizadas para ajudar com os plantios de restauração e na manutenção da infraestrutura da reserva.

Quem tem acesso à reserva?
A reserva é uma área de uso múltiplo, com um esquema de zoneamento para determinar o uso de cada área. O turismo é limitado à Cachoeira Pancada Grande e à Floresta Pancada Grande, 172 hectares acima da cachoeira no lado norte do Rio Cachoeira Grande. Cientistas com projetos aprovados e visitas programadas têm acesso a toda reserva.

rem seringueiras 4

Geografia


A Reserva Ecológica Michelin situa-se numa região conhecida como a Costa do Dendê, no Baixo Sul da Bahia. Hoje, a paisagem é caracterizada por uma variedade de ecossistemas distintos que incluem Mata Atlântica pluvial de terras baixas, restinga de piaçava (Attalea funifera), restinga de jataipeba (Brodriguesia santosii), estuários com extensões de manguezal, rios, várzeas, mar aberto e sistemas agroflorestais diversos, com mais de 60 cultivos plantados. Mais de 4.000 fragmentos de florestas permanecem nos arredores da reserva, que ocupam uma área de aproximadamente 40.000 hectares. A maior parte dos fragmentos tem menos de 30 hectares, enquanto os poucos fragmentos acima de 500 hectares constituem a maior parte da cobertura florestal. A paisagem de sistemas agro florestais mistas na Colônia fica ao norte da reserva. Plantações extensivas de seringueiras/cacau/banana estão localizadas ao leste e ao sul. Existem mais de 13.000 hectares de floresta ao oeste da reserva.

A história do uso da terra
A região tem uma longa história de assentamentos humanos; a chegada do povo Sambaqui ocorreu há 7.000 anos. Há pouca informação sobre as subsequentes ondas de colonização humana (nenhum desses povos deixou monumentos ou relatos escritos), porém, sabemos que foram caçadores-coletores. Os povos Tupi-Guarani, que migraram da bacia do Rio Paraná norte ao longo do litoral Atlântico, cerca de 1.500 anos antes, introduziram a agricultura na Mata Atlântica. É provável que tenham chegado à região da reserva pelo menos há 1.000 anos. Na época da conquista portuguesa no século 16, a reserva situava-se na fronteira norte do território dos Tupiniquins e os Guerens, (também conhecidas como Aimorés, Botocudos, Engereckmung), habitavam as terras vastas de florestas além da paliçada litorânea. Enquanto podemos imaginar que os caçadores-coletores tiveram um impacto limitado na paisagem, os Tupis, agricultores, transformaram a floresta através das suas práticas agrícolas. Plantaram mandioca, milho, feijão, abóbora, pimenta, abacaxi, batata-doce, mamão, tabaco e algodão dentro de seu sistema de agricultura migratória. Como resultado, criaram um mosaico na paisagem de florestas, áreas cultivadas e lotes agrícolas. A terra cultivada poderia ter sido extensiva devido ao fato que mandioca é cultivada apenas por uma safra (1,5 ano) e demora séculos para esse terreno tornar-se floresta madura. É provável que os Tupiniquins tenham derrubado as florestas na área da atual reserva para plantar suas culturas agrícolas, uma vez que o Rio Cachoeira Grande é um dos maiores rios da região e possui vários quilômetros de terra plana aluvial ao longo do seu curso inferior. Mesmo assim, é evidente, nos primeiros relatos dos Portugueses, que a maior parte da paisagem tinha cobertura florestal depois de 500 a 1.000 anos de agricultura dos Tupis.

Chegando ao fim do século 16, os Tupiniquins encontravam-se na condição de um povo conquistado, que sofreu um grande encolhimento da sua população, devido ao período prolongado de guerra com os portugueses e epidemias recorrentes, resultado das doenças introduzidas. Com esse declínio da população, é provável que grande parte da terra cultivada tenha revertido para floresta. A resistência feroz dos Guerens impediu que os portugueses penetrassem o interior. Por esta razão, a pressão na floresta durante o inicio do período colonial foi limitada a uma faixa estreita de floresta no litoral. Ituberá foi fundada em 1682 como um posto avançado da missão jesuíta, baseado em Camamu. A economia era de subsistência, com base no cultivo de mandioca e na extração limitada de madeira. Mesmo após a derrota final dos Guerens nos meados do século 18, a região permaneceu extremamente isolada, com uma população pequena e agricultura restrita às terras próximas aos povoados litorâneos. Sendo assim, é provável que a floresta tenha sido pouco perturbada. Da mesma forma, enquanto os madeireiros derrubaram as árvores na região ao longo dos períodos coloniais e imperiais, eles restringiram suas operações às florestas que possuiam acesso fácil. É improvável que eles tenham explorado as florestas da reserva de uma maneira significativa. No fim do século 18 e início do século 19, as famílias dos posseiros (agricultores habitando terras devolutas do governo) migraram dos povoados em direção aos morros, derrubando áreas de floresta para plantar mandioca e banana e também criando suínos. Algumas dessas famílias colonizaram as florestas da reserva, limpando as terras mais planas que beiravam os rios e córregos maiores e, eventualmente, derrubando a floresta nas encostas mais íngremes, especialmente ao longo do vale do Rio Pacangê. A densidade populacional dentro da reserva permanecia pequena durante a ocupação dos posseiros, mas eles tiveram um efeito marcante na floresta, através da criação de áreas extensivas de florestas secundárias e da caça. Apesar da área permanecer sob cobertura florestal nos meados do século 20, os posseiros conseguiram, através da atividade de caça intensiva, extirparam a anta (Tapirus terrestris), o queixada (Tayassu pecari), o tatu-canastra (Priodontes maximus), e a arara vermelha (Ara chloropterus). No caso do queixada, a sua extirpação pode ter ocorrido como resultado de uma doença transmitida pelo suíno doméstico.

A maneira de viver dos posseiros chegou ao fim em 1950 com a chegada dos grandes investidores, que confiscaram as terras dos posseiros e dividiram as terras devolutas para estabelecer plantações de cacau e seringueira. Essa nova onda de imigrantes transformou radicalmente a paisagem, aniquilando quase toda a floresta antiga e reduzindo a cobertura florestal em 50% ao longo das próximas duas décadas. Em 1953, uma empresa comprou a terra na qual a reserva está situada (uma parte da sua propriedade de 9.000 ha) e derrubou e queimou a floresta para plantar uma monocultura de seringueira. Restaram áreas de floresta apenas nos locais onde a agricultura era impossível. Metade do que hoje faz parte da reserva foi derrubada. Porém, ainda sustenta um mosaico de seringueiras, várzeas e matas ciliares compostas de vegetação pioneira. Os remanescentes foram usados como depósitos de madeira e empregaram o corte seletivo em todas as florestas para construir e manter a infraestrutura da plantação. Pacangê teve vários donos que limparam o setor do sul da floresta para a criação de gado, porém, a maior parte da floresta derrubada foi feita pelos posseiros no século anterior.

Imigrantes inundaram a região para auxiliar no estabelecimento de novas plantações e derrubar madeira para serraria. Como resultado do aumento da população que habitava a paisagem e o aumento de acesso às áreas, que antigamente eram muito remotas, os caçadores atuavam sem limites e as populações de vida silvestre despencaram. Entre 1950 e 1980, os caçadores extirparam a onça (Panthera onca) e o guariba (Alouatta guariba). As populações de caititu (Pecari tajacu), capivaras (Hydrochoeris hydrochaeris), macaco-prego-do-peito-amarelo (Sapajus xanthosternos), coati (Nasua nasua), cutia (Dasyprocta leporina), jupará (Potos flavus), mutum-do-sudeste (Crax blumenbachii) e outras espécies, dramaticamente desapareceram da maior parte da paisagem. Apenas o mico (Callithrix penicillata) e a raposa (Cerdocyon thous) escaparam dessa perseguição.

A Michelin adquiriu a propriedade em 1984 e continuou a cuidar da paisagem de modo parecido ao de seus antecessores. Os caçadores continuaram assolando as florestas e tirando madeira e a palmeira juçara (Euterpe edulis). As políticas ambientais na plantação começaram a mudar em meados dos anos 90, sob a direção de Bertrand Vignes e Bernard François, que supervisionaram a aquisição da floresta do Pacangê em 1999. A situação continuou a melhorar com o sucessor deles, Lionel Barré, que organizou a legalização da reserva (2005) e o estabelecimento do programa de pesquisa (2006). Hoje, a reserva tem uso específico, restrito à pesquisa, educação ambiental e turismo limitado. Quatro guardas florestais patrulham a floresta e, por intermédio do nosso programa de monitoramento, temos registrado um aumento de 117% na abundância de vida silvestre e o retorno do caititu, da suçuarana (Puma concolor), do macaco prego e do mutum-do-sudeste. Os guardas têm limitado efetivamente a atuação dos caçadores nas áreas de fronteira da reserva e eliminaram o corte de madeira e juçara.

Topografia

A reserva de 3.096 ha está localizada nas serras ao longo do litoral baiano (13º50´S, 39º10´W), a 18 km do mar. A reserva forma uma área estreita de 20 km. O ponto mais largo é de 3.5 km e o ponto mais estreito, não mais do que 500 m. A propriedade se estende ao longo de cinco cumeeiras, alinhadas no eixo norte/sul e aumentam em altura, do leste para o oeste, com picos de 92 a 338 m de altura. As colinas tendem a ser íngremes e terrenos planos são raros.

Hidrovias
A reserva é abençoada com uma abundância de hidrovias e nascentes. Existem três rios, cujos cursos passam pela maior parte da reserva. O maior rio é o Cachoeira Grande (conhecido também como Rio Mariana) que passa ao longo da fronteira norte da reserva e dentro da Floresta Pancada Grande. Mesmo sendo um dos maiores rios da região, o rio não passa de 10 a 15 m de largura e tem uma profundidade máxima de 4 metros, culminando na cachoeira Pancada Grande, de 61 m de altura, uma das mais espetaculares da Mata Atlântica baiana. Ele cruza com o Rio dos Índios até sair da reserva e desembocar nas águas salobras do Rio Serinhaém. Grande parte do setor do sul da reserva e as florestas da Fazenda Itapema I, vizinha da reserva, formam as cabeceiras do Rio Pacangê, que flui dentro da floresta do Pacangê e desemboca no Rio Cachoeira Grande. O Rio das Matas nasce no morro sudeste de Pacangê e passa pelas florestas de Luís Inácio e Vila 5 e pelas terras agrícolas ao leste, antes de desembocar no Rio Igrapiúna. Os morros no sudeste da reserva formam a bacia hidrográfica dos rios Bombaça, Cego, e Barracão. Todos desembocam no Rio Igrapiúna. Os córregos são abundantes: a floresta de Pacangê tem seis, a de Luis Inácio dois, e de Vila Cinco dois e a Floresta Pancada Grande dois córregos grandes perenes, respectivamente.

Climas
O clima agradável do litoral sul baiano conta com 2.000 mm anuais de chuva e temperaturas de 18˚ a 30˚ C. Chove ao longo de todo o ano, porém, há variações anuais na quantidade de chuva (uma gama de 1313-2666 mm entre 1954-2015) e variações mensais mas, de uma forma geral, a chuva mais intensa ocorre entre os meses de fevereiro e julho, o que coincide com o inverno austral. As chuvas de Santo André, que normalmente caem no fim de novembro, criam um aumento palpável de precipitação na parte mais seca do ano. A tendência de chuva varia consideravelmente e há dias em que nuvens passageiras produzem 10 chuvas rápidas e há períodos em que pode chover semanas seguidas sem parar. No inverno, às vezes, nuvens de chuva pairam sobre áreas do sul da Bahia por várias semanas, enquanto outras regiões do nordeste desfrutam de sol quente. Ventos fortes, trovões e raios são eventos raros. Não existem furacões nem tornados.

Os habitats das florestas


As florestas cobrem cerca de 65% da reserva e estão concentradas em três blocos principais (625, 550 e 140 ha). Todos tiveram madeira extraída e não existem florestas intocadas. Algumas partes da floresta, dominadas por plantas pioneiras, foram terras previamente usadas para agricultura, enquanto outras retêm elementos da mata madura, o que indica que nunca foram completamente desmatadas, mas tiveram corte seletivo ou até intensivo.  As florestas são mosaicos variados de vegetação que refletem os distúrbios históricos do local. É comum que a estrutura florestal mude dentro de espaços curtos. A tabela 1 detalha os cinco tipos de floresta encontrados na reserva e a porcentagem ocupada nos blocos principais, por cada tipo de floresta.

Tabela 1 – Forest classification REM (PDF – 20KB)
% = porcentagem dos principais blocos de floresta na REM que abrigam esse tipo de floresta (N= 27,050 m de trilhas).

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Outros tipos de habitats

Manguezais
Há um trecho pequeno de manguezal na borda da região nordeste da reserva na foz do Rio Cachoeira Grande. As espécies Rhizophora e Avicennia dominam a comunidade vegetal do manguezal.

 

Várzeas
As áreas baixas ao longo dos córregos que acumulam água criam um ambiente de solos permanentemente úmidos que são ideais para juncos, gramíneas e samambaias. Uma característica dessas várzeas são agrupamentos de plantas da família Typhaceae que atingem 1,5 a 2 m, interlaçados de arbustos e árvores nas ilhas pequenas de terra seca. A vegetação na beira da várzea atinge tipicamente de 2 a 8 m de largura com espécies de árvores pioneiras e arbustos, atingindo 1 a 12 m de altura. Todas as principais vias hídricas possuem várzeas.

Outros tipos de habitats

Manguezais
Há um trecho pequeno de manguezal na borda da região nordeste da reserva na foz do Rio Cachoeira Grande. As espécies Rhizophora e Avicennia dominam a comunidade vegetal do manguezal.

 

Várzeas
As áreas baixas ao longo dos córregos que acumulam água criam um ambiente de solos permanentemente úmidos que são ideais para juncos, gramíneas e samambaias. Uma característica dessas várzeas são agrupamentos de plantas da família Typhaceae que atingem 1,5 a 2 m, interlaçados de arbustos e árvores nas ilhas pequenas de terra seca. A vegetação na beira da várzea atinge tipicamente de 2 a 8 m de largura com espécies de árvores pioneiras e arbustos, atingindo 1 a 12 m de altura. Todas as principais vias hídricas possuem várzeas.

Outros tipos de habitats

Manguezais
Há um trecho pequeno de manguezal na borda da região nordeste da reserva na foz do Rio Cachoeira Grande. As espécies Rhizophora e Avicennia dominam a comunidade vegetal do manguezal.

 

Várzeas
As áreas baixas ao longo dos córregos que acumulam água criam um ambiente de solos permanentemente úmidos que são ideais para juncos, gramíneas e samambaias. Uma característica dessas várzeas são agrupamentos de plantas da família Typhaceae que atingem 1,5 a 2 m, interlaçados de arbustos e árvores nas ilhas pequenas de terra seca. A vegetação na beira da várzea atinge tipicamente de 2 a 8 m de largura com espécies de árvores pioneiras e arbustos, atingindo 1 a 12 m de altura. Todas as principais vias hídricas possuem várzeas.

Plantios de seringueira (Hevea brasiliensis)
Essa região é uma das áreas mais produtivas em cultivo de seringueiras no Brasil e há uma grande quantidade desta terra dedicada à produção dessa cultura. Os plantios de seringueira ocupam 15% da paisagem da reserva. As seringueiras são plantadas com uma densidade média de 476 a 500 árvores/ha com espaçamento de 7m x 3m e 8m x 2.5m, respectivamente. As seringueiras começam a produzir sete anos após serem plantadas e podem ser sangradas ao longo do ano, porém, a produção diminui durante a mudança das folhas ou durante longos períodos de chuva. As seringueiras são cortadas com navalhas especiais para criar um sulco pelo qual o látex flui até uma bica acima de um copo amarrado na árvore com um fio de arame. Os trabalhadores visitam cada árvore no espaço de cada 3 a 5 dias, coletando a borracha condensada e depois cortam um novo sulco para recomeçar o processo, sangrando entre 850 e 900 árvores por dia. As árvores podem ser sangradas por décadas usando setores diferentes do tronco, enquanto os setores já cortados cicatrizam. Às vezes é aplicado um hormônio para induzir a uma produtividade maior.


Foi cessada a prática comum de cortar a vegetação nas entrelinhas dos plantios de seringueira após a criação da reserva e essa mesma área ‘entrelinhas’ hoje tem vegetação secundária densa, dominada pelas espécies pioneiras (Miconia, Henrietta,Cecropia, Inga, Schefflera, Senna, Piper, Solanum, Rauvolfia, Bauhinia, Heliconia,gramíneas Cyperus). A camada superior do dossel das entrelinhas varia, dependendo da idade do plantio e atinge de 2 a 4 metros nos plantios mais novos e até mais de 10 m nos plantios mais velhos. Em alguns locais, as árvores pioneiras sustentam aglomerações densas de cipós. Nos plantios de seringueira da Michelin fora da reserva (aproximadamente 1.000 ha), a altura da vegetação das entrelinhas varia de acordo com o ciclo da limpeza da vegetação. A vegetação entrelinhas, na maior parte, é permitida crescer por 6 a 12 meses antes de ser cortada e essa vegetação varia, desde o tipo tiririca baixa até aglomerações densas de tiririca. Helicônias, arbustos e árvores atingem mais de 2 m. Temos plantado 100.000 árvores nativas de mais de 210 espécies em 270 ha dos plantios de seringueira na reserva, como parte de nosso programa de restauração florestal.

cach pancada grande 1

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Apresentamos aqui um tour da reserva, que começa na extremidade nordeste e avança no sentido sul e oeste, até o setor do sul da reserva.

a reserva tour

Floresta amortecedora no setor norte
O ponto do extremo nordeste da reserva consiste em uma área de 40 ha que age como uma zona amortecedora que protege a parte principal da reserva da expansão urbana, que cresce ao sul de Ituberá. Esse trecho estreito (200 a 400 metros) de floresta pioneira cronicamente impactada, beira a BA-001 e a borda oeste, beira os sistemas agroflorestais de Fazenda Velha e o manguezal do Rio Serinhaém ao leste e ao sul. Localizado ao norte, está o bairro popular denominado Poeirão. Além da floresta, há 20 ha de plantios de seringueira.

 

A Estrada para Pancada Grande
Esses 60 ha de floresta entre a rodovia BA-001 e a Cachoeira Pancada Grande sustentam plantios de seringueira com entrelinhas de vegetação pioneira densa que atinge de 2 a 5 m de altura e uma área extensiva enriquecida com espécies nativas plantadas em 2005, 2008 e 2012. Existem diversos trechos pequenos de floresta secundária densa, especialmente ao longo do rio e no caminho para a cachoeira.  Esse setor da reserva tem aproximadamente 100 a 400 m de largura e 2 km de comprimento, com um declive íngreme que se acentua ao norte do rio. Ao norte, são rocas de pequenos agricultores com sistemas agroflorestais diversos  e ao sul, grandes plantações de seringueira/cacau/banana.

A floresta de 625 ha
Essa floresta de 625 ha é um fragmento contínuo, dividido em três partes que refletem os três pontos de acesso descritos abaixo.

A Mata de Pancada Grande
Os 172 ha de floresta da Pancada Grande estão localizados na margem norte do Rio Cachoeira Grande, entre o rio e a Colônia. A topografia é levemente ondulada, com elevações de 120 m ao longo do rio e 186 m e 190 m nos topos dos dois morros. A floresta foi intensamente explorada para extração de madeira durante 25 anos e as operações dos madeireiros terminaram no fim dos anos 70. O setor mais plano no oeste foi o mais intensamente explorado e a floresta, localizada ao longo da trilha na parte superior do rio, a menos impactada. Hoje, a constituição da floresta é de 48% intensamente explorado e 52% que sofreram corte seletivo intensivo. Existem trechos pequenos de árvores maduras no centro da floresta, porém a maioria das árvores grandes é da espécie Eriotheca, e as espécies de crescimento rápido, Tachigali densiflora, Balizia pediccelaris e Parkia pendula. De uma forma geral, o dossel superior é de 10 a 15+ m com os emergentes acima de 20 m. A vegetação rasteira tende a ser densa, com uma altura de 3 a 4 m, abundante em palmeiras e helicônias. Bromélias, cipós e lianas são mais comuns na mata ciliar. Uma vegetação herbácea beira os cinco córregos, e as diversas clareiras naturais ao longo do rio estão inundadas com bambu trepadeira. Seringueira, cacau, banana e cravo são cultivados nas terras agrícolas adjacentes, porém, algumas dessas fazendas estão abandonadas e cobertas de mato. Durante uma invasão nos anos 90, camponeses derrubaram vários hectares ao longo do rumo central oeste e duas áreas menores ao longo do rio e no coração  da floresta. Também cortaram árvores do sub-bosque da mata ciliar, porém as mesmas têm se recuperado vigorosamente.

A Mata do Rio
A Floresta do Rio, de 273 ha, beira a margem do sul do rio Cachoeira Grande por 4 km em terra plana, exceto no ponto leste acima da cachoeira Pancada Grande onde o morro é íngreme. Essa floresta foi intensamente impactada pela extração de madeira até o fim dos anos 70. Hoje, constitui em floresta secundária densa, com árvores de 8 a 15 m, com uma quantidade considerável de árvores mais maduras e trechos pequenos de floresta relativamente intacta, nas áreas com acesso mais difícil. O ponto oeste da Floresta do Rio foi completamente derrubado e queimado para um plantio de seringueira que nunca foi realizado e hoje consiste em um trecho uniforme de floresta secundária, com aproximadamente 40 anos, onde a árvore Pourouma domina o dossel. Alguns trechos de mata ao norte da floresta de Vila 5 são capoeiras das rocas abandonadas, dos antigos posseiros. Uma faixa densa de vegetação segue o rio, com uma abundância de cipós, bromélias, bambus, samambaias e tiriricas. Nesse local, o rio tem de 9 a 12 m de largura e quando o nível de água baixa, muitas rochas ficam expostas, assim como alguns trechos de cascatas e pequenas ilhas.

A Mata da Vila 5
Os 180 ha de floresta da Vila 5, que tem 2,5 km de comprimento e uma largura de 800 m, se espalham sobre cinco morros ao sul do rio com picos entre 160 a 288 m. A floresta foi usada para extração de madeira. Também foi extraído cascalho para uso nas estradas da plantação. Hoje, os principais tipos de floresta consistem em floresta intensamente impactada (31,3%), floresta que sofreu corte seletivo intensivo (41%) e floresta levemente impactada (14,3%). A parte centro leste da floresta foi queimada no fim dos anos 60 e hoje sustenta uma floresta secundária dominada pelas espécies das árvores Pourouma, Senna, e Schefflera, com cipós e lianas finas abundantes que compõe 10,7% da floresta. Uma área pequena (2,7% da floresta) foi uma roça de mandioca no passado. Está presente na Vila 5 a floresta mais intacta da reserva. As encostas elevadas dos morros do norte retêm trechos relativamente grandes de floresta que foi levemente impactada com alguns exemplares impressionantes das espécies SloaneaCaryocarVirolaEriothecaLicania, e Copaifera. O perfil da floresta nos trechos mais novos é de árvores novas finas e árvores de porte médio de 10 a 13 m, enquanto nos trechos mais maduros, o dossel superior é consistentemente de 17 a 20+m. O morro do sul sustenta uma floresta que foi intensamente impactada, com árvores de 8 a13+ m, cipós abundantes e a serapilheira é funda. Porém, nas encostas mais altas, existe um trecho de floresta com algumas árvores de floresta madura. A palmeira juçara é abundante em toda a floresta, também como lianas e outras epífitas. Bromélias terrestres cobrem as rochas grandes, expostas nos topos dos morros. O Rio das Matas flui pela parte central da floresta e uma pequena e bonita cachoeira e cascatas estão presentes durante o seu curso. A floresta tem diversas nascentes e córregos pequenos que sustentam musgos e samambaias. Plantios de seringueira, cacau e banana beiram a floresta nos três lados e, ao norte, está situada a Floresta do Rio.

As seringueiras entre floresta
A área entre os três principais blocos de floresta ocupa cerca de 600 ha da reserva e sustenta uma mistura de monocultura de seringueira e várzeas que, às vezes, são contornadas por uma faixa estreita de florestas pioneiras. As entrelinhas das seringueiras não têm sido cortadas desde o estabelecimento da reserva e têm se transformado em mato denso, com espécies pioneiras que atingem 2 a 4+ m. Esta área foi o local primário para o projeto de enriquecimento florestal, com o plantio de 100.000 árvores de mais de 210 espécies. Os plantios de seringueira no lado noroeste da reserva, conhecido como Berel, penetram as encostas florestadas entre Pacangê e a fazenda Itapema I. A topografia é relativamente plana ao longo do Rio Cachoeira Grande, porém, eleva-se marcadamente no sentido sul e culmina nos morros altos da floresta Luís Inácio. Ao sul e ao leste existem plantios grandes de cacau, banana e seringueira.

A Mata de Luís Inácio
A mata de Luís Inácio, de 140 ha, estende-se por quatro morros íngremes que são cortados pelo Rio das Matas. O morro no noroeste de 338 m é o pico mais alto da reserva. O setor central e o setor do leste foram cultivados com o plantio de mandioca por pequenos agricultores, ao longo do século 20 e, capoeiras, ocupam 28,8% da floresta. Essas florestas secundárias são dominadas pelas espécies arbóreas PouroumaSennaAlbiziaByrsonima, e Schefflera onde o dossel superior atinge 6 a12+m e a palmeira juçara é abundante na vegetação rasteira e média. A madeira foi extraída dos outros setores da floresta: 22,8% foram intensamente impactados, 37,9% sofreram corte seletivo intensivo, e 7,6% foram levemente impactados. A vegetação em geral é densa, com árvores de porte médio atingindo 6 a 15 m. Porém, nas encostas dos morros no norte e ao longo do Riacho Caipora, existem pequenos trechos de mata madura, com árvores centenárias. A floresta Luís Inácio está localizada a 800 m a oeste da Vila 5 e a 400 m a leste da floresta de Pacangê, e é circundada por plantios de seringueira, onde as entrelinhas abandonadas têm sido enriquecidas com plantios de árvores nativas nos lados norte e leste. Existem plantios de cacau, seringueira e banana nos lados leste e sul.

Mata de Pacangê
A floresta de Pacangê, de 550 ha, estende-se em 7 morros íngremes ao longo de duas cumeeiras paralelas com picos que atingem 240 a 327 m. Pacangê foi cultivada desde o século 19, a maior parte com plantação de mandioca. Porém, mais tarde, o cacau também foi cultivado. Quatro plantios abandonados de cacau, jaqueiras, bambus e os restos de uma barragem para processar mandioca são provas dessa história agrícola. Hoje, a composição da floresta é de 3% de pastos abandonados, 49.9% de capoeiras, 18,7% pesadamente exploradas, 23,3% intensamente exploradas, e 5,1% levemente exploradas. A floresta foi completamente derrubada nas encostas inferiores, ao longo do rio e no morro do sudoeste. Essas áreas ainda sustentam floresta secundária com vegetação densa e contínua, que atinge de 3 a 5 metros e nos plantios abandonados mais antigos, o dossel superior atinge de 7 a 15 m. Os cipós são abundantes, a densidade de bromélias é moderada e a serapilheira é densa. A vegetação na parte norte da floresta consiste em aglomerações impenetráveis de árvores jovens, com vegetação contínua de 2 a 4 m. Existe também outro trecho de capoeira, no centro da floresta, acima do rio que se estende ao morro central na cumeeira ocidental. O terceiro trecho de capoeira fica na parte do meio da encosta do sudeste com aglomerações densas de arbustos e árvores que atingem 4 m. Florestas exploradas compõem as partes do meio e superior de todos os morros, menos o morro no sudoeste onde a floresta mais intacta é localizada. A floresta madura, que foi levemente explorada, segue a cumeeira do leste numa faixa estreita, porém contínua, onde o dossel superior atinge 15 a 25 m e árvores mais maduras de 30 a 40 m. Nas encostas superiores da cumeeira oriental, existem agrupamentos de floresta madura que foram levemente explorados com árvores maduras onde o dossel superior atinge 15 a 25+ m e emergentes que atingem 40 m. Esses trechos maduros são ricos em lianas grandes, bromélias e outras epífitas. Uma sapucaia (Lecythis pisonis)  centenária na beira do rio é a maior árvore que resta na região e nos permite imaginar como eram as florestas antes dos anos 50. O pequeno Rio Pacangê passa pela parte central da floresta e flui desde uma várzea grande no canto sul da floresta e passa por outra várzea, circundado por plantios de seringueira, no canto norte da floresta, antes de desembocar no Rio Cachoeira Grande. Seis córregos grandes nascem nessa floresta, assim como vários córregos menores e lagoas pequenas que retêm água durante o ano todo. Monoculturas de seringueira beiram a floresta no norte e leste, com as entrelinhas, enriquecidas com árvores nativas e um plantio abandonado de pupunha beira a parte do sul da reserva. Pacangê é ligada ao maior trecho de floresta da região (13.000 + ha) no rumo oriental e, junto com a floresta da Fazenda Itapema I, é o setor mais largo desse bloco de floresta.

Setor do sul
Uma cumeeira alta e íngreme segue a borda leste dessa área de 700 ha, com o vale do Rio Pacangê abaixo e as florestas da Itapema II ao oeste. Plantios de seringueira com as entrelinhas abandonadas dominam a paisagem, porém, há também uma rede extensiva de várzeas e vários trechos grandes de floresta pioneira (Senna, Tapirira, Cecropia, Schefflera, Inga, Vismia,Bauhinia, Piper, Miconia, Henrietta, e gramíneas do gênero Cyperus). Existem vários plantios enriquecidos com árvores nativas no setor sul. A Michelin mantém vários plantios de seringueira fora da reserva nessa área como parte do seu estudo de experiência de longo prazo com clones resistentes ao fungo Mycrocyclus ulei. A leste há plantios grandes de cacau/seringueira/banana e a paisagem ao sudoeste e ao sul é dominada por sistemas agroflorestais e fragmentos de floresta que foram severamente impactados.

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