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Recuperação do Ecossistema

Restauração da Mata Atlântica

  • 114.000 árvores plantadas

    de 348 espécies nativas de Mata Atlântica
  • +300 hectares

    de áreas recuperadas
  • 47% de plantios

    com a biodiversidade local

Do total de área da reserva, 1.950 ha correspondem a seringueiras abandonadas e APPs, equivalente a 50% da REM. Esses hábitats sustentam uma biodiversidade inferior à da mata. Associado à nossa pesquisa interna de fenologia das matas, nosso programa de restauração constitui práticas de enriquecimento da biodiversidade nessas áreas. Realizamos caminhadas mensais, percorrendo os diferentes habitats da reserva (50km; rede de 15 trilhas) com intuito de registrar espécies que estão em época de floração e frutificação, coletando sementes viáveis para produção de mudas nativas. Acondicionamos as mudas até que atinjam altura suficiente para o plantio, o qual realizamos anualmente. Selecionamos áreas de baixa diversidade, como os seringais abandonados, e realizamos o plantio de mudas nativas. Até o momento foram plantadas 114 mil árvores de 348 espécies diferentes, isso corresponde a 47% das plantas lenhosas registradas.

O programa de restauração atualmente conta com um viveiro de mudas nativas capaz de acondicionar 30.000 mudas, pesquisadores na identificação dos espécimes e uma equipe para manutenção das mudas in loco até que as mesmas atinjam 2+ metros de altura. Até o momento 310 ha de área foram restauradas, com uma taxa de sobrevivência dos indivíduos de 65%. As áreas dos plantios são revisitadas com frequência, e já foram registrados indivíduos frutificando.

O futuro da restauração da reserva:

Desde o início de nosso programa de plantio de enriquecimento, trabalhamos para restaurar os antigos seringais abandonados da Reserva Ecológica Michelin. Agora, com nossa meta alcançada e milhares de árvores crescendo vigorosamente, estamos nos aproximando da conclusão desse ciclo em 2026.

As árvores plantadas já estão frutificando, atraindo diversas espécies da fauna, que se alimentam e ajudam a dispersar sementes por toda a reserva. Como nossas áreas de restauração estão bem distribuídas, optamos por não plantar em todos os espaços, deixando até 500 metros entre elas. Dessa forma, permitimos que a própria natureza continue o processo de regeneração, com a fauna silvestre assumindo o papel de restaurar os seringais que não receberam plantio direto.

Proteção da Reserva

  • +9.000

    patrulhas realizadas
  • +600

    tentativas de caça impedidas
  • 96%

    de declínio na pressão de caça
A cultura da caça tem sido uma tradição duradoura na região durante milhares de anos e continua sendo até hoje. Até o meado do Século XIX, posseiros espalharam-se nos morros, cultivando mandioca e banana, criando porcos, e nesse período extinguiram a arara vermelha (Ara chloropterus) e a anta (Tapirus terrestris). Mesmo que a população de posseiros tenha diminuído ao longo do século 20, a busca pela caça foi implacável e até as décadas 20 e 30, a queixada (Tayassu pecari) e o tatu canastra (Priodontes maximus) tinham sido extintos. Os caçadores mataram as últimas onças-pintadas (Panthera onca) e macacos bugios (Alouatta guariba) na década de 1950/60 durante o desmatamento em grande escala que acompanhou o estabelecimento de grandes plantações de cacau / borracha ocorridas nessas décadas. Esse aumento na densidade populacional que acompanhou essa expansão intensiva de agricultura entre 1950 e 1970, resultou no aumento dramático da pressão dos caçadores e até o fim dos anos 70, a maior parte dos mamíferos de grande e médio porte estava escassa. Não havia medidas para controlar os caçadores até o meado dos anos 90 quando várias ONGs foram estabelecidas com a missão de conservar os remanescentes florestais, porém esses esforços (colocando placas proibindo a caça) têm sido pouco efetivos. Embora tenham menos pessoas envolvidas em atividades de caça atualmente, comparado com o passado, tudo indica que essa tendência vai continuar, pois a pressão dos caçadores ainda é intensa e na maioria das florestas, a vida selvagem continua escassa.

Antes da criação da reserva, a situação dentro da REM era parecida com a das outras florestas da região e a prática era extensiva e os caçadores usavam todos os setores da floresta. Uma das principais razões para criação da reserva era proteger a floresta contra todas as atividades ilegais, inclusive a caça (Lei 9.605/98). Dada a fraca aplicação da lei na região, a Michelin formou uma unidade de guardas florestais constituída por cinco homens selecionados das comunidades vizinhas. Hoje temos uma equipe dedicada e bem treinada que tem reduzido significativamente a pressão da caça a um nível mínimo (0 a 3 relatos por mês, comparado com 50 ou mais relatos quando a reserva foi criada). Hoje, já foram realizadas + 9.000 patrulhas e +550 tentativas de caça já foram impedidas, e a pressão de caça teve um declínio de 91% desde a criação da reserva. Os guardas patrulham toda a reserva, assim como a plantação da Michelin fora da reserva, com patrulhas na manhã, tarde e noite 360 dias por ano. Identificamos as áreas problemáticas e sabemos quem são os caçadores mais obstinados e concentramos as patrulhas nessas áreas. Conseguimos excluir os caçadores da maior parte da reserva e hoje a caça está restrita aos limites da reserva (geralmente <100 m da borda da floresta) e não registramos nenhuma atividade de caça ao longo das trilhas da reserva longe da borda por vários anos.



Monitoramento da Fauna

  • +2.500

    espécies registradas
  • 39

    novas espécies descobertas
  • 30

    câmeras traps, monitoramento a longo prazo da fauna

Monitoramos a pressão dos caçadores e a abundância da vida silvestre desde a criação da reserva e temos visto um declínio dramático na atividade dos caçadores acompanhado por uma expansão rápida das populações da fauna (um aumento de 117% de abundância desde a criação da reserva). Espécies em perigo de extinção, como macaco-prego-de-peito-amarelo (Sapajus xanthosternos) e mutum-do-bico-vermelho (Crax blumenbachii) têm recuperado e recolonizado todas as florestas da reserva, seringais abandonados e, neste último caso, seringais ativos a 3,5 km da borda da floresta. As populações de paca (Cuniculus paca), veado mateiro (Mazama americana), veado corça (Mazama gouazoubira) aumentaram 222%. A recuperação mais impressionante foi dos caititus (Pecari tajacu) e dos tatus galinha (Dasypus novemcinctus) cuja população aumentou 339% e 547% respectivamente.

Através da nossa pesquisa interna, realizamos estudo de longo prazo da biogeografia e ecologia dos mamíferos de médio e grande porte, as aves grandes, e o teiú (Salvator merianae) na paisagem diversa de sistemas agroflorestais na região. Esse trabalho inclui um programa de monitoramento a longo prazo da fauna dentro da reserva, usando transecções lineares, armadilhas fotográficas (28 câmeras num grid) e caminhadas de reconhecimento.

Com a redução da pressão de caça, a fauna tem aumentado a abundância e distribuição ao longo da reserva. Atualmente, é comum avistar espécies ameaçadas como o mutum-de-bico-vermelho (Crax blumenbachii) e a sussuarana (Puma concolor).

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